Unanimidade que precisa ser mudada

Dr. Felipe Lott.

Dr. Bruno Oliveira.

A realidade da saúde pública do Rio de Janeiro não é tão bela quanto a natureza que a cerca. O atendimento é precário e a população que não conta com um convênio ou que não tem condições de fazer uma consulta particular, fica a mercê de uma vaga nos postos de saúde que podem demorar até 6 meses para apenas marcar o atendimento com um urologista e até mesmo para fazer o exame de toque retal. Diante disso, é fácil entender o porquê da grande procura dos homens cariocas na carreta do Movimento pela Saúde Masculina, como conta o Dr. Felipe Lott, um dos urologistas que fez os atendimentos no Parque da Quinta da Boa Vista: “Não houve uma queixa em si, a maioria dos homens que eu atendi veio mais pela orientação sobre as doenças da próstata.”

Tanto ele quanto o Dr. Bruno Oliveira, que também atendeu no Parque da Quinta da Boa Vista, relataram o mesmo. O maior número de atendimentos esteve relacionado às doenças prostáticas. Muitos homens não sabiam muito bem o que deveria ser feito para se prevenir, nem quais eram os sintomas, o que é muito preocupante, pois o câncer de próstata é uma doença silenciosa, por isso a importância dos exames anuais que podem diagnosticar precocemente a doença fazendo com que seja possível a sua cura.

Como o Dr. Felipe Lott não atendeu homens jovens, ele contou que a maioria dos pacientes era maior de 40 anos e chegou com a intenção de fazer o exame de toque:  “Não existe mais aquele preconceito ou o medo de fazê-lo. O homem está mais consciente do que se imagina.” O problema segue sendo a falta de informação e a dificuldade de acesso. O homem tenta se cuidar e quer orientação, mas a desorganização da rede pública faz com que ele desista da prevenção e só insista no atendimento quando já está doente.

Os homens entre os 40 e 50 anos dividiram espaço com os jovens que tiveram como principal queixa as doenças sexualmente transmissíveis (DST): “É uma queixa mais comum entre os jovens.” – como conta o Dr. Bruno Oliveira. Coincidindo com o relato do Dr. Felipe Lott, os homens acima dos 40 anos também procuraram o atendimento na carreta por causa das doenças da próstata e pelos mesmos motivos: receber orientações e fazer o exame de toque retal. Uma queixa comum entre os dois grupos, jovens e adultos, foi a disfunção erétil. Nos mais velhos, devido a outras doenças como a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes.

A unanimidade em relação à desorganização da rede pública carioca não ficou apenas entre os dois médicos citados acima, o Dr. Alessandro Mondadori também compartilha da mesma opinião, como mencionado no post “Se há uma oportunidade, ele vai”. Com essa dificuldade, apenas os homens que possuem uma condição de vida melhor tem mais informação e conseguem se cuidar. É fácil marcar uma consulta quando se pode pagar por ela ou quando tem um convênio o que também facilita nos exames: “Realizar exame é mais fácil e mais simples. O homem já vai com uma outra mentalidade. Não são todos, não é uma regra, mas em geral é assim.” – afirma o Dr. Bruno Oliveira.

O fato que também se repete, mas dessa vez, de forma positiva, é quando eles se referem a iniciativa da SBU com a carreta do Movimento pela Saúde Masculina. Eles consideram de grande importância porque leva a esse homem carente de orientação, informações e possibilidades que eles não conseguiriam em menos de 6 meses de espera. É um primeiro passo, mas é uma grande chance para quem quer cuidar da saúde e se prevenir.

Publicado na área de imprensa, seção: Dia-a-dia da caravana

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