Participação em dose dupla

Dr. Antonio Fonseca Neto e Dr. Daniel Kanda Abe. (foto: Danny Yin)
Como foi dito no post anterior, é a segunda vez que a carreta do Movimento pela Saúde Masculina está em São Paulo e é também a segunda vez que os doutores Eulalio Damazio, Antonio Fonseca Neto e Daniel Kanda Abe atendem pelo Movimento. Os três destacam a importância dessa iniciativa e comparam as experiências.
Dr. Eulalio Damazio – Ele compara o grau de informação dos homens dos dois parques onde atendeu pelo Movimento. “Na zona leste o nível socioeconômico é um pouco mais baixo do que aqui, no Parque Ibirapuera. Mas todos os pacientes procuraram se informar. Para fazer o toque que todo homem tem que fazer, não vi diferença pelo nível cultural, não vi diferença nenhuma, todos aceitaram fazer os exames físicos necessários.” Em relação a importância desse tipo de ação como a do Movimento pela Saúde Masculina ele diz: “A iniciativa é boa. Hoje mesmo tiveram três pacientes que foi a primeira vez que passaram por urologista, dois com idade entre 55 e 60 anos e um com 70 e poucos anos. Você vê que os homens têm dificuldade de acesso ao médico. Às vezes chega no clínico, mas não consegue chegar no especialista. Então aqui cumprimos uma intenção de orientar, conscientizar e tentar fazer um rastreamento da doença que pode ser melhorada com o diagnóstico precoce.”
Dr. Daniel Kanda Abe – “Eu percebi que não teve muita diferença nos três parques que a gente passou a respeito dessa parte de conhecimento. Todos têm as mesmas dúvidas. As mais frequentes são em relação à patologia de próstata, eles têm pouco contato mesmo.” Mais uma vez as mulheres são citadas como grandes aliadas da saúde do homem: ”O que deu para perceber também é que a maioria dos homens vem por recomendação das parceiras. Elas que buscam informação. E o que está acontecendo muito também é que como agora as parceiras estão exigindo mais dos parceiros, há muita queixa da parte sexual.” – explica. A maioria dessas queixas está relacionada à ejaculação precoce e disfunção erétil, o Dr. Daniel explica que pela correria do dia a dia, por problemas no trabalho ou financeiro, o psicológico do homem fica afetado o que acarreta esse tipo de problema e como as parceiras estão mais exigentes e havendo uma maior interação do casal, eles estão conseguindo expor melhor o problema. Ele cita um caso interessante que não tinha atendido da primeira vez, um cadeirante e comenta: “Ele também tem vida sexual, tem prazer, tem necessidade. Às vezes algumas orientações ajudariam porque a maioria desconhece, tem receio de falar.” Para o doutor, a comunicação é peça fundamental para conseguir diagnosticar as doenças e para dar confiança ao paciente e aponta essa como a grande vantagem do Movimento pela Saúde Masculina: “Achei válido o Movimento porque a gente acaba ampliando o espectro de ação, os homens começam a ter um conhecimento maior nessa parte de doença de próstata. Ainda existe muito receio e muito preconceito, mas se divulga e o homem vê que tem uma grande quantidade de outros homens procurando, acaba diminuindo esse espaço entre o medo e a consulta médica. O paciente fica receoso de comentar sobre disfunção erétil, ele sempre começa com uma queixa esporádica como dificuldade de urinar e assim que ele vai ganhando confiança ele começa a falar, o que importa muito é a parte da comunicação. Se você faz uma consulto muito direcionada ou muito rápida o paciente não consegue falar o que queria, principalmente da parte sexual. O bom desse Movimento foi isso, o homem pôde ficar mais a vontade. Isso serve até para nós, médicos porque a gente percebe que se conversar um pouco mais, consegue tirar mais queixas. Ele acaba não conversando sobre o que ele queria mesmo, principalmente paciente jovem que fala que está sentindo dor para urinar e a gente percebe que o problema é sexual.”
Dr. Antonio Fonseca Neto – “No Parque da Luz, alguns pacientes viram na televisão e cruzaram a cidade para receber o atendimento, para mostrar exames, trazendo pastas de exames porque precisavam de uma ajuda ou de uma palavra. A população nos Parques da Luz e do Carmo é mais humilde, mais necessitada. Muitos tinham uma assistência, mas da rede pública mesmo. A diferença aqui para o Parque Ibirapuera é que o público é mais diferenciado, tem gente simples e tem também advogado, médico, professor, gente que vem já orientado, às vezes já está em acompanhamento e quer mais uma orientação.” Mesmo achando que a população que tem um nível de vida melhor tem mais informação, o Dr. Antonio enfatiza o poder da informação: “O público com nível de vida mais alto tem mais informação e assistência com plano de saúde, mas não se pode discriminar a informação. Considerar que o advogado é diferenciado, tem uma cultura maior e por isso ele terá informação é um erro. Em geral, temos que falar sobre o problema de saúde, a próstata, a andropausa, o problema hormonal e de disfunção erétil. A gente sempre acrescenta alguma coisa e sempre ganha. Vemos que é necessário não discriminar. Às vezes nós até nos surpreendemos porque o paciente precisa de uma palavra para melhorar o relacionamento ou é um problema psicológico. Então a palavra do médico, que é uma palavra técnica, científica, ajuda muito.” Ele comenta que o Movimento pela Saúde Masculina “é mais uma ação que vai romper barreiras, que os homens vão perdendo esse medo e vão mantendo continuamente essa informação da necessidade de se cuidar, de ir atrás da saúde e isso vai disseminando. Eu ouvi comentários aqui de pacientes que têm amigos executivos e que não fazem os exames por preconceito e aí quando o médico conversa e dá uma informação para ele, este vê que o raciocínio estava errado. Assim ele será o disseminador daquela informação no outro grupo. Eu acho que esse tipo de ação é maravilhosa. A SBU e a Lilly estão de parabéns! Nós percebemos que não é pelo número de homens que atendemos, mas pela disseminação da informação. O homem não fica dependendo de a esposa mandá-lo ao médico, ele já começa a ter mais informação e mais confiança no que está fazendo. Ele cuida mais da saúde no geral e esse é outro grande ponto. Trazê-lo aqui para informar sobre o lado sexual que chama muito a atenção do homem e como isso pode-se descobrir que ele tem um problema de saúde, emocional e pode orientá-lo a cuidar mais da família e dos seus relacionamentos. Melhora a vida dele e o seu entorno. São ações que devem se multiplicar. Uma carreta dessa é um tipo de ação que poderia se reproduzir anos e anos.”

















