19 de agosto de 2010.

Dr. Homero Nepomuceno Duarte.
O Diretor do Departamento de Atenção Especializada da Secretaria Municipal de Saúde de São Bernardo do Campo, o Dr. Homero Nepomuceno Duarte, visitou a carreta do Movimento pela Saúde Masculina e elogiou essa iniciativa da Sociedade Brasileira de Urologia, além de responder algumas perguntas sobre a saúde em São Bernardo do Campo e no Brasil.
Blog: Qual é a maior incidência de morte de homens em São Bernardo do Campo?
Dr. Homero: Tirando as mortes por causas violentas que estão em primeiro lugar como causa de óbito na população masculina, nós temos um perfil de mortalidade aqui semelhante à de outras regiões do Brasil. Em primeiro lugar, por doenças cardiovasculares, destaque para o infarto e para o derrame cerebral e por doenças ligadas especificamente a área masculina, que é o câncer de próstata, problemas do testículo que não ocupam um lugar grande estatisticamente, mas elas vêm aumentando e poderiam diminuir se o homem tivesse o hábito de se prevenir, de fazer os tratamentos preventivos a partir dos 40 anos de idade, assim eles detectariam essas doenças muito no começo e não chegariam até o estágio onde não tem mais como haver a cura. Portanto, o grande problema é estar na mente do homem a necessidade da prevenção.
Blog: Como é o atendimento no município? Há urologista na rede pública?
Dr. Homero: Nós temos uma quantidade de urologistas na rede pública, inclusive nós temos a Faculdade de Medicina do ABC que tem formação na área urológica, porém a quantidade de médicos que nós dispomos na rede para atender a nossa população masculina não é suficiente. São Bernardo é um município de quase 900 mil habitantes, sendo cerca de 300 mil homens, é um contingente bastante grande necessitando de ações e programas de tratamento, então é um programa que tem uma dificuldade muito grande de acesso e que nós temos que melhorar e capacitar nossos recursos humanos e uma iniciativa como essa (a carreta do Movimento pela Saúde Masculina) da Sociedade Brasileira de Urologia é bem vinda, inclusive no intuito de cobrir essa deficiência que o setor público tem.

Fila para retirar a senha de atendimento em São Bernardo do Campo. (foto: Danny Yin)
Blog: Quais são as políticas de saúde de São Bernardo?
Dr. Homero: Voltada para o público masculino jovem, nós temos os programas de prevenção, não só da gravidez, que é orientar o homem e não só a mulher porque ele também tem responsabilidade, como também das doenças sexualmente transmissíveis, principalmente, a questão da AIDS. E para a população da terceira idade, o projeto de prevenção e de tratamento do câncer de próstata que é onde nós temos a maior dificuldade de acesso.
Blog: Como médico, o senhor acha que o homem já tem consciência dos males causados pela disfunção erétil e pela a andropausa?
Dr. Homero: O Brasil é um país onde a gente tem, do ponto de vista médico, as doenças ainda relacionadas com os países subdesenvolvidos, como doenças infectocontagiosas e, ao mesmo tempo, a gente convive com doenças consideradas de países desenvolvidos, como doenças degenerativas, o Alzheimer, a própria obesidade, doenças cardiovasculares. Na população, você encontra um grande contingente de homens que ainda não conseguiram ter esse discernimento e ainda vem a questão sexual muito ligada somente à parte física e reprodutiva e que tem dificuldade de acesso, quando tem um problema desses, principalmente a disfunção erétil, acabam recorrendo a coisas que não tem comprovação científica nenhuma ou ao uso indiscriminado de medicação. Até existe esse mercado paralelo que depende da venda desses remédios. Já a Andropausa é muito longe desse contingente. Agora por outro lado, a gente já tem um contingente de homem bastante significativo, com educação e acesso a informação que tem um grau de consciência maior, o homem está integrando, interagindo, sabendo também que quando ele chega numa fase, ele tem uma queda de hormônio e relaciona a questão sexual com a saúde, a vitalidade, a prevenção, ou seja, qualquer política pública de saúde no Brasil não pode desconsiderar que estamos em um país heterogêneo, onde se convive com realidades completamente diferentes, portanto tem que ter estratégias diferentes para esses vários públicos, senão ela não vai ter sucesso. Devido ao nosso sistema educacional e social que é muito complicado, muitas pessoas não sabem interpretar o que elas lêem e nem o que elas ouvem. O problema não é só de informação, é de se entender a informação. Infelizmente é isso que nós temos. Celso Furtado já dizia: São dois Brasis, um é a Bélgica e o outro é a Índia, convivendo num mesmo território. Tem-se um contingente que vive igual a Bélgica que poderia ser de 25 a 30% da população que num país com 190 milhões de pessoas não é pouco, é maior que vários países europeus e pessoas tem acesso a informação, internet, TV a cabo, escola, universidade e outro 70% que ainda estão em uma situação muito complicada, de difícil acesso a informação e quando essa informação chega, não sabe interpretar.
Blog: O que é feito para controlar a venda de medicamentos falsos no município?
Dr. Homero: A vigilância sanitária tem feito o trabalho de fiscalização, mas ela consegue fiscalizar o comércio regular, farmácias, consultórios. Mas esse tipo de coisa (venda de medicamentos falsos) não se dá num comércio regular, às vezes um farmacêutico tem acesso a uma entrega de medicamento não muito adequado, mas é a minoria. A maioria dessas pessoas adquire isso em camelô, em comércio informal, em bares, locais onde são de difícil acesso para o poder público. Nos primeiros 500 anos de Brasil, já deu para se constituir como país e só nos próximos 500 anos para virar uma nação. Estamos na transição, vendo um lado bem atrasado e também convivendo com um lado bastante moderno. Como a estrutura que se tem aqui (referindo-se à estrutura do Movimento pela Saúde Masculina), é coisa de primeiro mundo e vai ver unidades de saúde que nós temos como Vila São Pedro e outros bairros que não tem nem saneamento básico e que as crianças sofrem de verminose. O Brasil é um país suigeneris.

Após pegarem a senha, os homens se encaminham para a carreta do Movimento. (foto: Danny Yin)