Unanimidade que precisa ser mudada

5 de setembro de 2010.

Dr. Felipe Lott.

Dr. Bruno Oliveira.

A realidade da saúde pública do Rio de Janeiro não é tão bela quanto a natureza que a cerca. O atendimento é precário e a população que não conta com um convênio ou que não tem condições de fazer uma consulta particular, fica a mercê de uma vaga nos postos de saúde que podem demorar até 6 meses para apenas marcar o atendimento com um urologista e até mesmo para fazer o exame de toque retal. Diante disso, é fácil entender o porquê da grande procura dos homens cariocas na carreta do Movimento pela Saúde Masculina, como conta o Dr. Felipe Lott, um dos urologistas que fez os atendimentos no Parque da Quinta da Boa Vista: “Não houve uma queixa em si, a maioria dos homens que eu atendi veio mais pela orientação sobre as doenças da próstata.”

Tanto ele quanto o Dr. Bruno Oliveira, que também atendeu no Parque da Quinta da Boa Vista, relataram o mesmo. O maior número de atendimentos esteve relacionado às doenças prostáticas. Muitos homens não sabiam muito bem o que deveria ser feito para se prevenir, nem quais eram os sintomas, o que é muito preocupante, pois o câncer de próstata é uma doença silenciosa, por isso a importância dos exames anuais que podem diagnosticar precocemente a doença fazendo com que seja possível a sua cura.

Como o Dr. Felipe Lott não atendeu homens jovens, ele contou que a maioria dos pacientes era maior de 40 anos e chegou com a intenção de fazer o exame de toque:  “Não existe mais aquele preconceito ou o medo de fazê-lo. O homem está mais consciente do que se imagina.” O problema segue sendo a falta de informação e a dificuldade de acesso. O homem tenta se cuidar e quer orientação, mas a desorganização da rede pública faz com que ele desista da prevenção e só insista no atendimento quando já está doente.

Os homens entre os 40 e 50 anos dividiram espaço com os jovens que tiveram como principal queixa as doenças sexualmente transmissíveis (DST): “É uma queixa mais comum entre os jovens.” – como conta o Dr. Bruno Oliveira. Coincidindo com o relato do Dr. Felipe Lott, os homens acima dos 40 anos também procuraram o atendimento na carreta por causa das doenças da próstata e pelos mesmos motivos: receber orientações e fazer o exame de toque retal. Uma queixa comum entre os dois grupos, jovens e adultos, foi a disfunção erétil. Nos mais velhos, devido a outras doenças como a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes.

A unanimidade em relação à desorganização da rede pública carioca não ficou apenas entre os dois médicos citados acima, o Dr. Alessandro Mondadori também compartilha da mesma opinião, como mencionado no post “Se há uma oportunidade, ele vai”. Com essa dificuldade, apenas os homens que possuem uma condição de vida melhor tem mais informação e conseguem se cuidar. É fácil marcar uma consulta quando se pode pagar por ela ou quando tem um convênio o que também facilita nos exames: “Realizar exame é mais fácil e mais simples. O homem já vai com uma outra mentalidade. Não são todos, não é uma regra, mas em geral é assim.” – afirma o Dr. Bruno Oliveira.

O fato que também se repete, mas dessa vez, de forma positiva, é quando eles se referem a iniciativa da SBU com a carreta do Movimento pela Saúde Masculina. Eles consideram de grande importância porque leva a esse homem carente de orientação, informações e possibilidades que eles não conseguiriam em menos de 6 meses de espera. É um primeiro passo, mas é uma grande chance para quem quer cuidar da saúde e se prevenir.

volta para o topo

Participação em dose dupla

29 de agosto de 2010.

Dr. Antonio Fonseca Neto e Dr. Daniel Kanda Abe. (foto: Danny Yin)

Como foi dito no post anterior, é a segunda vez que a carreta do Movimento pela Saúde Masculina está em São Paulo e é também a segunda vez que os doutores Eulalio Damazio, Antonio Fonseca Neto e Daniel Kanda Abe atendem pelo Movimento. Os três destacam a importância dessa iniciativa e comparam as experiências.

Dr. Eulalio Damazio – Ele compara o grau de informação dos homens dos dois parques onde atendeu pelo Movimento. “Na zona leste o nível socioeconômico é um pouco mais baixo do que aqui, no Parque Ibirapuera. Mas todos os pacientes procuraram se informar. Para fazer o toque que todo homem tem que fazer, não vi diferença pelo nível cultural, não vi diferença nenhuma, todos aceitaram fazer os exames físicos necessários.” Em relação a importância desse tipo de ação como a do Movimento pela Saúde Masculina ele diz: “A iniciativa é boa. Hoje mesmo tiveram três pacientes que foi a primeira vez que passaram por urologista, dois com idade entre 55 e 60 anos e um com 70 e poucos anos. Você vê que os homens têm dificuldade de acesso ao médico. Às vezes chega no clínico, mas não consegue chegar no especialista. Então aqui cumprimos uma intenção de orientar, conscientizar e tentar fazer um rastreamento da doença que pode ser melhorada com o diagnóstico precoce.”

Dr. Daniel Kanda Abe – “Eu percebi que não teve muita diferença nos três parques que a gente passou a respeito dessa parte de conhecimento. Todos têm as mesmas dúvidas. As mais frequentes são em relação à patologia de próstata, eles têm pouco contato mesmo.” Mais uma vez as mulheres são citadas como grandes aliadas da saúde do homem: ”O que deu para perceber também é que a maioria dos homens vem por recomendação das parceiras. Elas que buscam informação. E o que está acontecendo muito também é que como agora as parceiras estão exigindo mais dos parceiros, há muita queixa da parte sexual.” – explica. A maioria dessas queixas está relacionada à ejaculação precoce e disfunção erétil, o Dr. Daniel explica que pela correria do dia a dia, por problemas no trabalho ou financeiro, o psicológico do homem fica afetado o que acarreta esse tipo de problema e como as parceiras estão mais exigentes e havendo uma maior interação do casal, eles estão conseguindo expor melhor o problema. Ele cita um caso interessante que não tinha atendido da primeira vez, um cadeirante e comenta: “Ele também tem vida sexual, tem prazer, tem necessidade. Às vezes algumas orientações ajudariam porque a maioria desconhece, tem receio de falar.” Para o doutor, a comunicação é peça fundamental para conseguir diagnosticar as doenças e para dar confiança ao paciente e aponta essa como a grande vantagem do Movimento pela Saúde Masculina: “Achei válido o Movimento porque a gente acaba ampliando o espectro de ação, os homens começam a ter um conhecimento maior nessa parte de doença de próstata. Ainda existe muito receio e muito preconceito, mas se divulga e o homem vê que tem uma grande quantidade de outros homens procurando, acaba diminuindo esse espaço entre o medo e a consulta médica. O paciente fica receoso de comentar sobre disfunção erétil, ele sempre começa com uma queixa esporádica como dificuldade de urinar e assim que ele vai ganhando confiança ele começa a falar, o que importa muito é a parte da comunicação. Se você faz uma consulto muito direcionada ou muito rápida o paciente não consegue falar o que queria, principalmente da parte sexual. O bom desse Movimento foi isso, o homem pôde ficar mais a vontade. Isso serve até para nós, médicos porque a gente percebe que se conversar um pouco mais, consegue tirar mais queixas. Ele acaba não conversando sobre o que ele queria mesmo, principalmente paciente jovem que fala que está sentindo dor para urinar e a gente percebe que o problema é sexual.”

Dr. Antonio Fonseca Neto – “No Parque da Luz, alguns pacientes viram na televisão e cruzaram a cidade para receber o atendimento, para mostrar exames, trazendo pastas de exames porque precisavam de uma ajuda ou de uma palavra. A população nos Parques da Luz e do Carmo é mais humilde, mais necessitada. Muitos tinham uma assistência, mas da rede pública mesmo. A diferença aqui para o Parque Ibirapuera é que o público é mais diferenciado, tem gente simples e tem também advogado, médico, professor, gente que vem já orientado, às vezes já está em acompanhamento e quer mais uma orientação.” Mesmo achando que a população que tem um nível de vida melhor tem mais informação, o Dr. Antonio enfatiza o poder da informação: “O público com nível de vida mais alto tem mais informação e assistência com plano de saúde, mas não se pode discriminar a informação. Considerar que o advogado é diferenciado, tem uma cultura maior e por isso ele terá informação é um erro. Em geral, temos que falar sobre o problema de saúde, a próstata, a andropausa, o problema hormonal e de disfunção erétil. A gente sempre acrescenta alguma coisa e sempre ganha. Vemos que é necessário não discriminar. Às vezes nós até nos surpreendemos porque o paciente precisa de uma palavra para melhorar o relacionamento ou é um problema psicológico. Então a palavra do médico, que é uma palavra técnica, científica, ajuda muito.” Ele comenta que o Movimento pela Saúde Masculina “é mais uma ação que vai romper barreiras, que os homens vão perdendo esse medo e vão mantendo continuamente essa informação da necessidade de se cuidar, de ir atrás da saúde e isso vai disseminando. Eu ouvi comentários aqui de pacientes que têm amigos executivos e que não fazem os exames por preconceito e aí quando o médico conversa e dá uma informação para ele, este vê que o raciocínio estava errado. Assim ele será o disseminador daquela informação no outro grupo. Eu acho que esse tipo de ação é maravilhosa. A SBU e a Lilly estão de parabéns! Nós percebemos que não é pelo número de homens que atendemos, mas pela disseminação da informação. O homem não fica dependendo de a esposa mandá-lo ao médico, ele já começa a ter mais informação e mais confiança no que está fazendo. Ele cuida mais da saúde no geral e esse é outro grande ponto. Trazê-lo aqui para informar sobre o lado sexual que chama muito a atenção do homem e como isso pode-se descobrir que ele tem um problema de saúde, emocional e pode orientá-lo a cuidar mais da família e dos seus relacionamentos. Melhora a vida dele e o seu entorno. São ações que devem se multiplicar. Uma carreta dessa é um tipo de ação que poderia se reproduzir anos e anos.”

volta para o topo

Hoje é o Dia do Psicólogo

27 de agosto de 2010.

Tudo começou com os filósofos que fizeram as primeiras especulações em relação a problemas psicológicos, em busca de respostas sobre a natureza da alma e de sua relação com o corpo. Daí o costume de se dizer que a filosofia é a mãe da psicologia ou que os filósofos foram os precursores dos psicólogos. Isso foi apenas um gancho para dizer que hoje é o Dia do Psicólogo, aquele que estuda os fenômenos da mente e do comportamento do homem com o objetivo de orientar os indivíduos a enfrentar suas dificuldades emocionais e ajudá-los a encontrar o equilíbrio entre a razão e a emoção. O seu objeto de estudo é o comportamento humano e o seu principal objetivo é compreender o homem. E é isso que a psicóloga Maria José Conde Cortes faz na carreta do Movimento pela Saúde Masculina e através dela, de suas experiências e de suas palavras que o Blog do Movimento destaca neste post a importância do trabalho de um psicólogo na vida saudável do homem e na resolução de seus problemas.

Psicóloga há 30 anos, Mazé, como é conhecida pela equipe da carreta, trabalha com a sexualidade tanto masculina quanto feminina, além de tratar adolescentes, conta que “atualmente a Psicologia caminha muito ao lado do médico porque tem muita causa de tratamento masculino, como ejaculação precoce e disfunção erétil que o médico trata na parte medicamentosa, mas muitas vezes a pessoa chega a esse estado de disfunção por conta do psicológico porque ela está abalada.” Mesmo quando é clínico devido a problema de pressão alta, depressão, diabetes, se é fumante ou leva uma vida sedentária, esses problemas podem vir associados a uma causa psicológica, como perdas, medos e traumas. Às vezes o trauma vem da infância e a resposta vem só quando ele já é adulto, sendo assim, só com tratamento psicológico ele consegue descobrir a causa.

Ela conta que o médico hoje consegue perceber isso em casos de disfunção erétil e em muitas cidades ele já chama o psicólogo para trabalhar ao lado do próprio consultório. “Com relação à ejaculação precoce, não existe causa clínica, 100% da ejaculação precoce é causa psicológica. Meninos desde a primeira relação podem acusar ejaculação precoce por ansiedade, por relação com os pais, pela própria forma que faz a primeira vez, porque tem que fazer muito afoito ou é proibido. Acostuma com isso e acaba levando para a vida toda até que se perceba que tem que tratar. A ejaculação precoce até pode ser medicada e faz efeito, mas só enquanto está tomando o medicamento. Quando para de tomar, volta tudo. Se cura totalmente é com o tratamento psicológico.”

Mazé é convicta do seu trabalho e se sente muita realizada com a profissão em todos os sentidos: “A Psicologia me ajudou como mãe, como mulher, me ajuda hoje com relacionamentos, me ajuda demais. A profissão é hiper gratificante e também aqui na carreta que eu estou podendo fazer muito pelas pessoas que não tem acesso ao psicólogo e que em 15 minutos que eles estão comigo aqui, eu sei que resolvo grande parte do problema dele. Eu me sinto muito realizada e muito agradecida pela oportunidade.” Prova dessa eficiência e um presente no seu dia foi o depoimento de 3 homens que sofriam de ejaculação precoce. Dois deles passaram pela carreta na primeira vez que ela esteve em São Paulo, no Parque da Luz fizeram questão de voltar para agradecer o seu trabalho e garantiram estar curados graças as técnicas aprendidas. O terceiro foi atendido em São Bernardo do Campo e que, mesmo em pouco tempo, já sentiu muita diferença e disse que seu problema estava ocorrendo em menor grau. “Isso é muito gratificante. É o resultado do trabalho na carreta. Eles foram visionários em colocar um psicólogo para atender junto com o médico.” – relata emocionada.

E para os estudantes de Psicologia e até mesmo aos profissionais da área ela deixa um recado de uma profissional apaixonada pelo que faz: “A profissão em si é fascinante, seja em que área for.” Parabéns a todos os psicólogos e psicólogas que trabalham duro para entender a complexidade do comportamento humano!

volta para o topo

O que dominou foi a disfunção erétil

22 de agosto de 2010.

Durante o atendimento aos homens na carreta do Movimento pela Saúde Masculina, eles chegaram ao mesmo resultado: a maioria das queixas foi em relação a problemas sexuais, principalmente a ejaculação precoce e com uma faixa etária acima dos 50 anos de idade. Dr. André Mota, Dr. Plínio Marcelo Storti e Dr. Orlando Sanches foram alguns dos médicos que atenderam pelo Movimento em Guarulhos e eles deixaram suas impressões.

Dr. André, Dr. Orlando e Dr. Plínio. (foto: Danny Yin)

Dr. André Mota – “O atendimento foi tranquilo. O pessoal já veio de certo modo entendendo o que era a carreta do Movimento. O que me chamou a atenção foi um paciente que há 9 anos não tem relação, ele não conseguia porque ejaculava rápido. Não teve iniciativa de procurar ajuda, a esposa não o procurava e ele não queria buscar mulher de fora. Foi a coisa mais curiosa que eu atendi hoje. A faixa etária me surpreendeu, a falta de jovens abaixo de 30 anos que não chegou a 2%. A grande maioria acima dos 50 anos, diferente do consultório.” Ele conta que uns 70% dos homens queixaram-se de problema sexual, a maioria por motivos mistos (orgânicos e psicológicos), e a ejaculação precoce dominou. “É o grande fantasma. Isso leva a uma menor frequência sexual, ele tem medo do fracasso e não arrisca.”

Dr. Plínio Marcelo Storti – “A satisfação do paciente é a nossa avaliação. Aqui na carreta nada mais é que uma orientação, é tentar mostrar para o paciente que não existe esse pecado todo de se passar pelo urologista. Mostrar pra ele que é fácil, que é tranqüilo e que não tem nenhum bicho papão aqui dentro.” O Dr. Plínio buscou orientar os pacientes para que eles tenham uma visão melhor do assunto. Como trabalha em posto de saúde do município, ele encaminhou os homens atendidos para o programa da unidade básica de saúde do posto, onde ele dará segmento. “Então não vai ficar aquele negócio: eu viro minhas costas e vou embora, o paciente vira as costas e vai embora e fica por isso mesmo. Esse atendimento teve uma função. O paciente sai daqui com uma orientação e um segmento. Ele não está perdido, deu-se um rumo a ele.” – explica. “A maior reclamação foi a disfunção erétil, a ejaculação rápida e muito pouco sobre próstata. Porém, a minha atitude foi a seguinte: eu orientei sobre próstata, falei quais são as características básicas, sobre a sintomatologia, sobre a parte da sexualidade, de uma parte emocional e psicogênica. Num bate papo, conversando com o paciente, se consegue passar isso. Eles acabaram saindo bem.” A maior parte dos homens por ele atendidos também estavam na faixa etária acima dos 50 anos, mas teve uma boa média de jovens entre os 23 e 27 anos.

Dr. Orlando Sanches – “O maior número de queixas aqui ou de orientação foi quanto a sexualidade, uma minoria sobre a parte prostática. Não veio nenhum jovem extremamente jovem. A faixa etária foi acima dos 50 anos.” O Dr. Orlando levanta um ponto importante no atendimento ao homem que sofre com problemas sexuais, ele relata que “falta escola, falta instrução”. O homem busca o urologista achando que um comprimido vai resolver todos os seus problemas. “Ele quer que faça uma poção mágica e assim ele vai ter ereção por quanto tempo ele quiser e a hora que ele quiser. Mas o paciente é hipertenso, não controla, não faz dieta e não toma remédio ou é diabético, mas não faz controle, não toma medicamento e não faz dieta. O diabético levou a insuficiência renal, ele começou a fazer diálise porque o rim não está funcionando bem e ele não continuou a fazê-la. Não faz tratamento nenhum e ele quer ter relação pelo menos 3 vezes por semana e não liga a doença à ereção. Todas essas doenças são ignoradas. Ele procura a poção, o milagre que faça ele ficar vivo, mas sendo diabético ou hipertenso ou cardiopata ou com insuficiência renal isso não adianta. Ele não quer controlar nada disso e o encaminhamento feito pelo urologista para um nefrologista, um endocrinologista, um cardiologista, com certeza ele não irá procurar nenhum deles. Vai ficar andando a caça de alguém que lhe dê um remedinho e ele possa eventualmente colocar uma prótese peniana gratuita. Cuidar do que está afetando a sua função não é importante. É um exemplo para mostrar a que ponto chega a ignorância e o desconhecimento. Ignorância porque ele está consciente que tem que tratar isso, ele tem a informação.” Ele também fala da importância da mulher ao lado do homem: “Veio uma mulher para o atendimento com o marido. Ele, por uma inibição muito grande, não consegue explicar tudo que ele tem, então foi importante a presença da mulher para explicar toda a parte da sexualidade do casal. Ela foi a porta-voz do casal. Ele não sabia nem que caminho seguir. Ela veio para falar porque ele não fala, ele esconde os fatos, é inibido.” Ele fala do erro no uso da terminologia “prevenção” quando o assunto é o câncer de próstata, de mama, de colo de útero, etc. “Não deveria ser colocado dessa maneira. O paciente acha que o médico vai dar o remedinho, vai fazer o exame e ele nunca vai ter câncer de próstata. Cabe a orientação sobre o diagnóstico precoce, antes de qualquer sintomatologia. Aí sim eu julgo que é por uma falta de informação.” Ele acha que o Movimento pela Saúde Masculina deve ser feito com frequência. “Não adianta fazer isso agora e depois fazer de novo daqui 5 anos. Tem que ter continuidade.” – finaliza.

volta para o topo

A prevenção é tudo

19 de agosto de 2010.

Desde os cuidados que se tem com uma criança até os cuidados que se tem ao andar na rua ou de carro e os cuidados com a saúde é a mesma coisa. “Você não consegue prevenir a doença. Como é que uma pessoa vai prevenir o câncer de próstata? É muito difícil, mas é muito fácil fazer o diagnóstico precoce da doença. Se é feita essa detecção através de exames anuais e até semestrais, dependendo de casos na família ou do caso dessa pessoa, ela será curada fazendo uma cirurgia radical ou a radioterapia.” – relata o urologista Dr. Reinaldo Sacco.

O que se sabe hoje é que a gordura comida durante toda uma vida pode aumentar a chance de se ter câncer de próstata. “Quanto menos gordura se come, menor a chance de ter o câncer.” – diz. Em países onde se come muito peixe, verduras e legumes, como é o caso dos países asiáticos, a chance de se ter câncer de próstata é bem menor. “Essa seria uma prevenção que se dá ao filho e não ao pai, é uma questão de educação alimentar.” O câncer de próstata também é hereditário, como o câncer de mama. Quando um parente de primeiro grau teve o câncer, a chance deste ter um tumor é maior do que a de uma pessoa que não tem ninguém doente na família. Quando o câncer de próstata é detectado em uma pessoa que tem mais de 80 anos, é provável que essa pessoa não morra por causa dele porque nessa idade o câncer avança muito lentamente. “O câncer de próstata não é um bicho de sete cabeças. Nós temos que entender essa doença para domá-la. E quanto mais cedo fizer esse diagnóstico, mais fácil será a cura.” – afirma.

Ele também destaca um tipo de câncer que ainda não é muito comentado, mas que está presente na vida de homens muito jovens, na faixa dos 20 aos 40 anos, o câncer de testículo. A sua prevenção é feita através da apalpação dos testículos. O homem deve apalpar os testículos e se houver alguma irregularidade em sua superfície ou algum tipo de caroço, deve procurar um médico.

Em relação a disfunção erétil, o doutor conta que “a medida que se tem mais recursos, o homem procura mais o médico. Antes da chegada dos medicamentos que melhoram a ereção, ela só era tratada emocionalmente, só se pensava na parte. Depois apareceram outros recursos como as injeções e depois vieram os medicamento para ajudar ainda mais. O cialis é mais efetivo do ponto de vista da duração, ele pode durar até 36 horas.”

A andropausa (distúrbio androgênico do hormônio do envelhecimento masculino), que seria a menopausa masculina, atinge os homens depois dos 50 anos, em geral. A mulher pode entrar na menopausa depois dos 40 anos. O homem, a medida que envelhece, vai diminuindo a quantidade de testosterona que não é apenas o hormônio do apetite sexual, mas também o da força, do humor, do sono, da boa qualidade de vida. “Se o homem começa a diminuir a testosterona, que é uma coisa natural, ele deve repor essa testosterona. Através de exames e das queixas, o urologista reconhece essas queixas e faz um exame de sangue simples e o exame físico para ver a qualidade dos testículos e depois pode repor a testosterona. A mulher também tem testosterona e é interessante que também haja a reposição desse hormônio na mulher.” – finaliza.

volta para o topo

Atitude louvável

15 de agosto de 2010.

Dr. Antonio Cesar Martino.

Durante os dois dias de atendimento do Movimento pela Saúde Masculina em Santos, o Dr. Antonio Cesar Martino esteve presente atendendo e orientando os homens da baixada. Ele ressalta o valor da caravana do Movimento por se tratar de uma ação preventiva e de fácil acesso, afinal o atendimento é gratuito, basta o homem querer. Ele diz que todos os homens atendidos por ele não passavam por um urologista há mais de 2 anos, apenas alguns possuíam convênio e a maior parte deles só tinha acesso à rede pública de saúde, o que justifica a dificuldade em manter os exames anuais em dia. A maioria deles ou tinha disfunção erétil ou queriam fazer o exame de toque retal que teve uma grande aceitação. “Apenas um paciente se recusou a fazer o exame.”- relatou. Em relação à disfunção erétil, ele conta que a maioria dos casos era de disfunção mista, que ocorre por problemas orgânicos e psicológicos, por isso encaminhou muitos pacientes a psicóloga do Movimento. “No final do atendimento, todos agradecem e saem satisfeitos dizendo ser essa uma atitude louvável.” – finaliza.

Saindo de Santos, a caravana do Movimento pela Saúde Masculina sobe a Serra do Mar em direção a São Bernardo do Campo, cidade do ABCD Paulista, onde atenderá gratuitamente homens maiores de 18 anos, nos dias 18 e 19 de agosto, na Praça São João Batista, no Largo Rudge Ramos.

volta para o topo
volta para home