Estilo de vida carioca

5 de setembro de 2010.

Sr. José Carlos de Carvalho fazendo uma pausa na sua caminhada para receber atendimento na carreta do Movimento.

Por sua paisagem, seu clima e, principalmente, seu estilo de vida é que o Rio de Janeiro se destaca de outras capitais. Os cariocas vivem em uma cidade muito mais quente e tendem a passar pouco tempo entre paredes. Eles privilegiam as atividades outdoor. O Rio é rústico e tem uma expansão natural, as praias, por isso se entrega mais ao entorno e as atividades ao ar livre são tão exploradas.

Seguindo esse estilo de vida está o Sr. José Carlos de Carvalho que aos 58 anos faz exercícios físicos regularmente e se cuida: “Para cuidar da minha saúde, eu procuro sempre fazer uma caminhada, faço natação 3 vezes por semana, tenho uma alimentação, dentro do possível, razoável. Precisamos manter o funcionamento do organismo porque nós vamos envelhecendo e vamos tendo que ter alguns cuidados.”

Como ele faz natação todas as segundas, quartas e sextas, as suas caminhadas no Parque da Quinta da Boa Vista ficam para os finais de semana e feriados. Foi graças a essa caminhada que ele viu a carreta do Movimento pela Saúde Masculina parada no parque e achou que era a hora de passar por um urologista. Há um ano e meio que ele não se consulta, mas sabe que se descuidou um pouco: “A última vez que eu estive no urologista foi a um ano e meio. Não tenho ido com frequência. Mas tenho consciência que tem que fazer esse exame da próstata que é um exame anual.”

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Unanimidade que precisa ser mudada

5 de setembro de 2010.

Dr. Felipe Lott.

Dr. Bruno Oliveira.

A realidade da saúde pública do Rio de Janeiro não é tão bela quanto a natureza que a cerca. O atendimento é precário e a população que não conta com um convênio ou que não tem condições de fazer uma consulta particular, fica a mercê de uma vaga nos postos de saúde que podem demorar até 6 meses para apenas marcar o atendimento com um urologista e até mesmo para fazer o exame de toque retal. Diante disso, é fácil entender o porquê da grande procura dos homens cariocas na carreta do Movimento pela Saúde Masculina, como conta o Dr. Felipe Lott, um dos urologistas que fez os atendimentos no Parque da Quinta da Boa Vista: “Não houve uma queixa em si, a maioria dos homens que eu atendi veio mais pela orientação sobre as doenças da próstata.”

Tanto ele quanto o Dr. Bruno Oliveira, que também atendeu no Parque da Quinta da Boa Vista, relataram o mesmo. O maior número de atendimentos esteve relacionado às doenças prostáticas. Muitos homens não sabiam muito bem o que deveria ser feito para se prevenir, nem quais eram os sintomas, o que é muito preocupante, pois o câncer de próstata é uma doença silenciosa, por isso a importância dos exames anuais que podem diagnosticar precocemente a doença fazendo com que seja possível a sua cura.

Como o Dr. Felipe Lott não atendeu homens jovens, ele contou que a maioria dos pacientes era maior de 40 anos e chegou com a intenção de fazer o exame de toque:  “Não existe mais aquele preconceito ou o medo de fazê-lo. O homem está mais consciente do que se imagina.” O problema segue sendo a falta de informação e a dificuldade de acesso. O homem tenta se cuidar e quer orientação, mas a desorganização da rede pública faz com que ele desista da prevenção e só insista no atendimento quando já está doente.

Os homens entre os 40 e 50 anos dividiram espaço com os jovens que tiveram como principal queixa as doenças sexualmente transmissíveis (DST): “É uma queixa mais comum entre os jovens.” – como conta o Dr. Bruno Oliveira. Coincidindo com o relato do Dr. Felipe Lott, os homens acima dos 40 anos também procuraram o atendimento na carreta por causa das doenças da próstata e pelos mesmos motivos: receber orientações e fazer o exame de toque retal. Uma queixa comum entre os dois grupos, jovens e adultos, foi a disfunção erétil. Nos mais velhos, devido a outras doenças como a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes.

A unanimidade em relação à desorganização da rede pública carioca não ficou apenas entre os dois médicos citados acima, o Dr. Alessandro Mondadori também compartilha da mesma opinião, como mencionado no post “Se há uma oportunidade, ele vai”. Com essa dificuldade, apenas os homens que possuem uma condição de vida melhor tem mais informação e conseguem se cuidar. É fácil marcar uma consulta quando se pode pagar por ela ou quando tem um convênio o que também facilita nos exames: “Realizar exame é mais fácil e mais simples. O homem já vai com uma outra mentalidade. Não são todos, não é uma regra, mas em geral é assim.” – afirma o Dr. Bruno Oliveira.

O fato que também se repete, mas dessa vez, de forma positiva, é quando eles se referem a iniciativa da SBU com a carreta do Movimento pela Saúde Masculina. Eles consideram de grande importância porque leva a esse homem carente de orientação, informações e possibilidades que eles não conseguiriam em menos de 6 meses de espera. É um primeiro passo, mas é uma grande chance para quem quer cuidar da saúde e se prevenir.

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Aproveitando o embalo

4 de setembro de 2010.

Panorâmica do Parque da Quinta da Boa Vista com a carreta do Movimento. (foto: Danny Yin)

Exuberante flora do Parque. (foto: Danny Yin)

Em tempos passados, a Quinta da Boa Vista fazia parte dos Jardins do Palácio Imperial de São Cristovão, antiga morada dos Reis. Por isso, visitar o Parque da Quinta da Boa Vista hoje em dia é uma visita ao Século XIX, ao bom gosto e ao contato com a natureza.

O imenso parque do Rio de Janeiro, com uma área de 155 mil metros quadrados, ajardinada em 1869, segundo projeto do paisagista francês Auguste Glaziou a mando de D. Pedro II, é aberto à visitação pública para lazer. Sempre se encontram quiosques que vendem sanduíches, cachorros quentes e refeições, assim como vendedores de picolé e sorvete, água mineral e refrigerantes.

E é em um desses quiosques que trabalha o Sr. João Carlos de Oliveira Gomes que soube do Movimento pela Saúde Masculina pelos panfletos de divulgação: “Como chegaram uns panfletos lá no meu quiosque, eu aproveitei, saí das compras e vim aqui visitar. A gente vai embarcar nesse embalo. Vamos ver o que vai dar.” Bem humorado e trajando a camisa do seu time do coração, Sr. João, aos 59 anos, nunca havia ido ao urologista e justifica: “A gente não tem problema nenhum. Muito difícil eu ficar doente, não é brincadeira, não. Mas vamos tentar a sorte aqui.” Sempre dando risada, ele fecha a conversa como um carioca apaixonado pelas coisas típicas da cidade: futebol e carnaval. “Está tudo em paz. Botafoguense e mangueirense sem problema. Tudo certo!”

Sr. João Carlos de Oliveira Gomes.

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Sábado e domingo na Quinta

4 de setembro de 2010.

A carreta do Movimento pela Saúde Masculina, no Parque da Quinta da Boa Vista.

Depois de 2 dias na Praça Saens Peña, no bairro da Tijuca, o Movimento pela Saúde Masculina está no Parque da Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristovão e ficará por aqui hoje (4) e amanhã (5), das 9h às 17 horas, onde atenderá gratuitamente homens maiores de 18 anos.

A Quinta da Boa Vista constitui hoje um parque público de grande valor histórico. No século XIX o edifício em estilo neoclássico foi utilizado como residência pela Família Imperial Brasileira. Nas dependências da Quinta localizam-se ainda o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, o Museu da Fauna e o Museu Nacional do Brasil, instalado no local do antigo Paço de São Cristóvão.

O prédio do palácio, restaurado atualmente, já recuperou as cores e ornamentos originais da grande fachada. Obras no telhado, em algumas salas e nas fachadas laterais encontram-se em fase de execução neste momento.

O Museu Nacional, mantido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, popularmente denominado Museu da Quinta da Boa Vista é um dos mais importantes museus do Brasil e da América Latina.

Museu da Quinta da Boa Vista, antiga residência da Família Imperial Brasileira.

Parque da Quinta da Boa Vista.

Entrada do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

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Se há uma oportunidade, ele vai

2 de setembro de 2010.

São vários os motivos já citados no blog pelos quais o homem não busca ajuda médica. Quer seja por motivos culturais ao achar que o homem é mais forte que a mulher e ele não fica doente ou por preconceito ou por vergonha ou pelo compromisso com o trabalho ou pela falta de tempo ou apenas pelo simples fato de não sentir nada. Homem só procura um médico quando está doente e quando esses sintomas o tiram de seu ritmo habitual de vida. Esses são alguns motivos e o Dr. Alessandro Mondadori, que atendeu na carreta do Movimento durante a sua parada na Praça Saens Peña, no bairro da Tijuca, indica mais um que se pôde observar também em outras cidades brasileiras por onde a carreta passou: a falta de acesso.

“O atendimento me surpreendeu porque a maioria dos pacientes estava ali pela primeira vez, a grande maioria nunca tinha entrado num consultório. E o curioso é que muitos só entraram por causa da carreta. O preconceito que as pessoas tinham, hoje não tem tanto assim. Os homens estão querendo procurar o médico para prevenir e evitar a doença.” Ele explica que o fato pelo qual essa procura ainda seja pequena é que “provavelmente seja por falta de acesso porque por vergonha não é tanto mais, eles não se preocupam mais quanto a isso, chegam sem problema nenhum, sem nenhum receio de fazer o exame de toque.”

Trabalhando na rede pública da cidade do Rio de Janeiro, ele diz ser complicado, pois a rede primária não funciona direito, é tudo muito desorganizado e não se consegue ter uma sequência básica o que dificulta todo o atendimento. Por toda essa dificuldade, ele ressalta a importância da iniciativa da SBU por ser o primeiro passo para muitos homens: “Tem que fazer assim pelo menos para começar a facilitar o acesso, para que o paciente possa fazer isso a primeira vez, principalmente aquele que não tem condições. Fazer o exame, não apenas para diagnosticar, mas pelo menos prevenir, já conseguir achar alguma coisa antes. O maior número de pacientes que estava aqui era para se prevenir do câncer de próstata e para fazer um acompanhamento.”

Dr. Alessandro Mondadori.

Homens aguardando pelo atendimento na Praça Saens Peña, na Tijuca.

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Homens inibidos

2 de setembro de 2010.

O carioca tem a fama de “descolado”, esbanja um ritmo de vida saudável por viver cercado de belas praias e poder contar com ela para praticar a saúde. Mas quando o assunto é a saúde masculina, isso acaba se tornando contraditório. Por mais que a preocupação em levar uma vida saudável e cuidar do corpo seja uma realidade, eles ainda se sentem constrangidos quando o assunto é a consulta com um urologista. O Sr. Freitas, 65 anos, aposentado, foi pela última vez a um urologista para fazer o exame da próstata há 10 anos e se justifica: “A falta de tempo, preguiça, ao mesmo tempo a inibição também. Vou ao médico só quando eu sinto alguma coisa e posso lhe falar que há 15 anos não tenho problema algum. Tenho uma vida tranquila, não faço exercícios, mas caminho bastante, tenho uma alimentação boa a base de verduras e frutas, claro que tomo uma cervejinha ou um copo de vinho, mas tudo moderado.”
Ele mora perto da Praça Saens Peña e quando estava passando por ela, viu a carreta do Movimento pela Saúde Masculina, se informou e resolveu aproveitar. Essa facilidade de acesso e incentivo o ajudou a deixar a inibição de lado e tomar essa atitude: “Acho uma iniciativa muito boa porque está em via pública o que ajuda a encorajar alguns homens, talvez uma grande parte dos homens, inclusive eu que passei por aqui ontem, me informei com a promotora e resolvi vir hoje realmente para fazer o exame. Eu acho que o homem não vai ao urologista por inibição. Há determinados fatores que o indivíduo, mesmo se consultando com um homem, fica inibido. Mas a gente chega numa determinada idade que é a minha e que entre ficar inibido e resolver algum problema, é preferível resolver o problema e perder a inibição. Eu acho que com uma campanha maciça como essa, feita em praça pública, em vias públicas, com panfletos, dando orientação, eu acho que isso encoraja muito o indivíduo.”

Sr. Freitas acredita na força da divulgação para desinibir o homem.

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