Uma São Paulo de olhos puxados

Pavilhão Japonês, no Parque Ibirapuera.
O Brasil abriga uma população japonesa com cerca de 1,5 milhão de “nikkeis” (termo usado para denominar os japoneses e seus descendentes). A maior colônia japonesa do mundo, fora do Japão, está em São Paulo. A imigração japonesa no Brasil começou no início do século XX, através de um acordo entre o governo japonês e o brasileiro. Como o Japão estava superpovoado no século XIX e o Brasil precisava de mão de obra devido à expansão das plantações de café na zona rural paulista no final do século XIX e no início do século XX, fez-se o acordo.
Os imigrantes japoneses aperfeiçoaram as técnicas agrícolas e de pesca dos brasileiros. Trouxeram mais de 50 tipos de frutas e vegetais antes desconhecidos no Brasil, entre os quais o caqui, a maçã Fuji, mexerica poncã e o morango, graças ao desenvolvimento de seu trabalho de aclimatação. Além da grande expansão da avicultura brasileira que só cresceu de vez quando foram trazidas aves-matrizes do Japão e com a experiência dos imigrantes japoneses nas granjas.
O bairro paulistano da Liberdade representa um pedaço do Japão, conhecido como o maior reduto da comunidade japonesa na cidade. A presença japonesa no bairro começou em 1912 quando os imigrantes japoneses começaram a residir na Rua Conde de Sarzedas, um dos motivos de procurarem essa rua é que quase todas as casas tinham porões e os aluguéis dos quartos no subsolo eram incrivelmente baratos. Para aqueles imigrantes, aquele cantinho da cidade de São Paulo significava esperança por dias melhores.
No Quarto Centenário da Cidade de São Paulo, em 1954, a colônia japonesa presenteou o Parque Ibirapuera doando uma réplica, feita no Japão, do Palácio Katsura, em Quito, o Pavilhão Japonês que conta com uma exposição permanente de cultura japonesa, com peças a partir do século XI e tem o seu entorno enfeitado com lago com carpas e jardins. É um lugar muito visitado pelos japoneses e seus descendentes que vivem em São Paulo, dentre eles estão o Sr. Kenji Suzuki, 75 anos, e sua esposa, a Sra. Midori Suzuki, 73 anos, que fazem de seus passeios pelo Parque Ibirapuera uma rotina. E foi graças a isso que eles viram a carreta do Movimento pela Saúde Masculina e o Sr. Kenji resolveu passar pelo atendimento. Casados a 40 anos, a Sra. Midori conta que nasceu no Brasil, a primeira de 10 filhos. Seus pais vieram do Japão, se conheceram aqui no Brasil e se casaram: “Foi um casamento bem brasileiro, mesmo sendo entre japoneses.” O Sr. Kenji é japonês e faz 45 anos que está vivendo no Brasil. “Ele veio passear no Brasil, me conheceu e não voltou mais para o Japão.” – conta. Ele diz que quis passar pelo atendimento da carreta do Movimento por causa da próstata. “O médico disse que não tem nada, mas tem que se cuidar.” – finaliza com seu peculiar sotaque japonês.

Sra. Midori Suzuki e Sr. Kenji Suzuki. (foto: Danny Yin)


Sra. Carla e Sr. Luiz. (foto: Danny Yin)



















