Uma São Paulo de olhos puxados

29 de agosto de 2010.

Pavilhão Japonês, no Parque Ibirapuera.

O Brasil abriga uma população japonesa com cerca de 1,5 milhão de “nikkeis” (termo usado para denominar os japoneses e seus descendentes). A maior colônia japonesa do mundo, fora do Japão, está em São Paulo. A imigração japonesa no Brasil começou no início do século XX, através de um acordo entre o governo japonês e o brasileiro. Como o Japão estava superpovoado no século XIX e o Brasil precisava de mão de obra devido à expansão das plantações de café na zona rural paulista no final do século XIX e no início do século XX, fez-se o acordo.

Os imigrantes japoneses aperfeiçoaram as técnicas agrícolas e de pesca dos brasileiros. Trouxeram mais de 50 tipos de frutas e vegetais antes desconhecidos no Brasil, entre os quais o caqui, a maçã Fuji, mexerica poncã e o morango, graças ao desenvolvimento de seu trabalho de aclimatação. Além da grande expansão da avicultura brasileira que só cresceu de vez quando foram trazidas aves-matrizes do Japão e com a experiência dos imigrantes japoneses nas granjas.

O bairro paulistano da Liberdade representa um pedaço do Japão, conhecido como o maior reduto da comunidade japonesa na cidade. A presença japonesa no bairro começou em 1912 quando os imigrantes japoneses começaram a residir na Rua Conde de Sarzedas, um dos motivos de procurarem essa rua é que quase todas as casas tinham porões e os aluguéis dos quartos no subsolo eram incrivelmente baratos. Para aqueles imigrantes, aquele cantinho da cidade de São Paulo significava esperança por dias melhores.

No Quarto Centenário da Cidade de São Paulo, em 1954, a colônia japonesa presenteou o Parque Ibirapuera doando uma réplica, feita no Japão, do Palácio Katsura, em Quito, o Pavilhão Japonês que conta com uma exposição permanente de cultura japonesa, com peças a partir do século XI e tem o seu entorno enfeitado com lago com carpas e jardins. É um lugar muito visitado pelos japoneses e seus descendentes que vivem em São Paulo, dentre eles estão o Sr. Kenji Suzuki, 75 anos, e sua esposa, a Sra. Midori Suzuki, 73 anos, que fazem de seus passeios pelo Parque Ibirapuera uma rotina. E foi graças a isso que eles viram a carreta do Movimento pela Saúde Masculina e o Sr. Kenji resolveu passar pelo atendimento. Casados a 40 anos, a Sra. Midori conta que nasceu no Brasil, a primeira de 10 filhos. Seus pais vieram do Japão, se conheceram aqui no Brasil e se casaram: “Foi um casamento bem brasileiro, mesmo sendo entre japoneses.” O Sr. Kenji é japonês e faz 45 anos que está vivendo no Brasil. “Ele veio passear no Brasil, me conheceu e não voltou mais para o Japão.” – conta. Ele diz que quis passar pelo atendimento da carreta do Movimento por causa da próstata. “O médico disse que não tem nada, mas tem que se cuidar.” – finaliza com seu peculiar sotaque japonês.

Sra. Midori Suzuki e Sr. Kenji Suzuki. (foto: Danny Yin)

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Uma leitora do blog

29 de agosto de 2010.

Um estudo da Sociedade Brasileira de Urologia revela que cerca de 80% das marcações de consultas médicas para os homens são feitas por mulheres. Este é um dos fatores que comprovam a ausência de cuidados que o homem tem com a própria saúde. A mulher é peça fundamental para mudar esse cenário e está sendo uma grande aliada do Movimento pela Saúde Masculina e em São Paulo não é diferente.

Sra. Carla, Sra. Valdirene e Sra. Edna.

A Sra. Valdirene, assistente de marketing, teve que usar o seu poder de persuasão para convencer o seu marido, Sr. Marcelo, a passar pelo atendimento e isso começou em março, quando a carreta do Movimento esteve em São Paulo pela primeira vez. Ela ficou sabendo pela televisão, mas como não podia ir até o Parque da Luz naqueles dias, resolveu acompanhar o Movimento pelo site e pelo blog. Deixou anotado na agenda os dias que a carreta do Movimento voltaria a São Paulo e na última sexta-feira (25), falou para o marido: “Vamos lá!” E ele respondeu: “Vamos ver…” Mas ela não deixou passar: “Vamos ver nada, já está visto e já está marcado. Vamos lá sim!” Não teve como o Sr. Marcelo dizer não. “Convenci o meu marido, apesar da resistência dele que acho que é normal para todos. Mas eu falei da importância porque ele teve caso de câncer de próstata na família.” Ele está com 45 anos e nunca tinha ido ao urologista. Saiu do atendimento contando a tranqüila novidade: “Vou ter que fazer PSA uma vez por ano.”

Ela conta que gosta de ler os depoimentos do blog: “Até ontem eu entrei para confirmar a data e li o depoimento de um senhor chamado Miguel. E eu estava falando do depoimento dele e da importância dos exames. Eles esperam acontecer para depois procurar ajuda.” E elogia a iniciativa do Movimento: “Está bem organizado. Uma atitude bacana e espero que continue. Da minha parte, vou fazer propaganda para as outras pessoas.”

Junto com a Sra. Valdirene, estavam a Sra. Edna e a Sra. Carla. A primeira chegou às 6h10 no Parque Ibirapuera para guardar 3 lugares: um para o seu irmão de 66 anos que nunca passou por uma consulta ao urologista e os outros 2 para seus pacientes do hospital, onde trabalha como auxiliar de enfermagem, na área de geriatria. Ela sempre incentiva os homens a cuidarem da saúde e cuida muito bem da sua também: “Cuido direitinho da minha saúde.“ O tempo todo olhando para fora para ver se eles estão chegando, ansiosa ela comenta: “Eu estou esperando, se eles não me derem o cano.”

Já a Sra. Carla não precisou convencer o marido, o Sr. Luiz, e nem guardar o lugar para ele porque, no meio de muitos homens que precisam ser convencidos e incentivados, há alguns que tomam a iniciativa. “Ele veio correr no parque ontem, pegou o folhetinho e disse que viria hoje.” Ela conta que teve caso de câncer de próstata na família e que o trabalho que ela não tem com o marido, ela tem com os homens da sua família. “Preciso falar para eles sempre a importância de se cuidar.”

Sr. Marcelo e Sra. Valdirene. (foto: Danny Yin)

Sra. Carla e Sr. Luiz. (foto: Danny Yin)

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Consciente, mas relutante

28 de agosto de 2010.

O homem ainda retarda muito a ida ao médico, um pouco por preconceito, pois é difícil ele admitir que tem algum problema de saúde, principalmente se for um problema sexual. Mas não se pode colocar a culpa só nele, é um problema cultural. Depois dos 12 anos, quando o pediatra não é mais o médico do menino, ele deveria passar a se consultar com o urologista que pode esclarecer sobre as transformações do seu corpo e, principalmente orientá-lo para a prevenção porque o homem espera ficar doente para depois procurar ajuda. Se nessa época começasse o trabalho de prevenção, a ocorrência de problemas com a saúde poderia ser menor. O urologista poderia ser o médico para a vida inteira. Apenas ele, salvo poucas exceções, pergunta especificamente sobre a vida sexual do paciente. É difícil um clínico geral ou um cardiologista perguntar como ele está tendo relação para depois poder encaminhar ao urologista. A pergunta básica não é orientada nem mesmo nos programas de formação em universidades, não existe uma disciplina que se refere à sexualidade. Se o próprio médico tem dificuldade de conversar a respeito disso, pode-se imaginar a dificuldade do homem em procurar ajuda. Como exemplo desse atraso na procura de um urologista, Sr. Miguel (que não quis ser fotografado) tem 57 anos e nunca foi ao urologista. Ele diz que só decidiu passar pelo atendimento por causa da oportunidade oferecida pelo Movimento pela Saúde Masculina e porque precisa resolver “alguns problemas que andam acontecendo.” Ele está passando por tratamento psiquiátrico por ter dificuldade em reter dados e faz acompanhamento com grupos de apoio para se livrar do alcoolismo e do tabagismo. Mesmo consciente da importância de se cuidar e de ter contato com médicos, ele diz ser difícil encarar o urologista.

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Um apaixonado pela Medicina, mas não é médico

28 de agosto de 2010.

Ele chegou com um recorte de jornal nas mãos e perguntou para um dos promotores da carreta do Movimento pela Saúde Masculina se era aqui que seria o atendimento gratuito. Sr. Américo, 74 anos, chamou atenção por isso e pela sua simpatia. Um amante da Medicina, ele acompanha tudo que é relacionada à saúde, inclusive faz a Universidade da Terceira Idade na USP, onde os professores de Medicina e Farmácia ministram palestras gratuitas para um público maior de 60 anos. “Eu tenho muito interesse nisso, sou apaixonado pela Medicina, tudo que vejo eu vou fazendo.” – conta. E com uma memória de causar inveja, ele despeja tudo que já aprendeu com essas palestras, como a prevenção de doenças, a anatomia da coluna vertebral, escoliose, a importância da alimentação saudável, a prática de exercícios físicos, a vacinação, além de orientações sobre os medicamentos e o perigo de tomar qualquer medicação sem orientação médica. E não fica só na teoria todo esse conhecimento, ele coloca em prática: “Eu pratico essa teoria, desde a alimentação, pratico exercícios físicos todos os dias e faz uns 8 anos que eu não sei o que é uma gripe.” Mas mesmo tão consciente e prevenido com a sua saúde, ele conta que faz 3 anos que não vai ao urologista por causa da dificuldade de conseguir marcar uma consulta nos postos de saúde, então quando viu o anúncio no jornal falou: “Amanhã cedo eu vou estar lá.” E concluiu: “Quando surge esse tipo de campanha é fundamental que a gente vá.”

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Hoje é o Dia do Psicólogo

27 de agosto de 2010.

Tudo começou com os filósofos que fizeram as primeiras especulações em relação a problemas psicológicos, em busca de respostas sobre a natureza da alma e de sua relação com o corpo. Daí o costume de se dizer que a filosofia é a mãe da psicologia ou que os filósofos foram os precursores dos psicólogos. Isso foi apenas um gancho para dizer que hoje é o Dia do Psicólogo, aquele que estuda os fenômenos da mente e do comportamento do homem com o objetivo de orientar os indivíduos a enfrentar suas dificuldades emocionais e ajudá-los a encontrar o equilíbrio entre a razão e a emoção. O seu objeto de estudo é o comportamento humano e o seu principal objetivo é compreender o homem. E é isso que a psicóloga Maria José Conde Cortes faz na carreta do Movimento pela Saúde Masculina e através dela, de suas experiências e de suas palavras que o Blog do Movimento destaca neste post a importância do trabalho de um psicólogo na vida saudável do homem e na resolução de seus problemas.

Psicóloga há 30 anos, Mazé, como é conhecida pela equipe da carreta, trabalha com a sexualidade tanto masculina quanto feminina, além de tratar adolescentes, conta que “atualmente a Psicologia caminha muito ao lado do médico porque tem muita causa de tratamento masculino, como ejaculação precoce e disfunção erétil que o médico trata na parte medicamentosa, mas muitas vezes a pessoa chega a esse estado de disfunção por conta do psicológico porque ela está abalada.” Mesmo quando é clínico devido a problema de pressão alta, depressão, diabetes, se é fumante ou leva uma vida sedentária, esses problemas podem vir associados a uma causa psicológica, como perdas, medos e traumas. Às vezes o trauma vem da infância e a resposta vem só quando ele já é adulto, sendo assim, só com tratamento psicológico ele consegue descobrir a causa.

Ela conta que o médico hoje consegue perceber isso em casos de disfunção erétil e em muitas cidades ele já chama o psicólogo para trabalhar ao lado do próprio consultório. “Com relação à ejaculação precoce, não existe causa clínica, 100% da ejaculação precoce é causa psicológica. Meninos desde a primeira relação podem acusar ejaculação precoce por ansiedade, por relação com os pais, pela própria forma que faz a primeira vez, porque tem que fazer muito afoito ou é proibido. Acostuma com isso e acaba levando para a vida toda até que se perceba que tem que tratar. A ejaculação precoce até pode ser medicada e faz efeito, mas só enquanto está tomando o medicamento. Quando para de tomar, volta tudo. Se cura totalmente é com o tratamento psicológico.”

Mazé é convicta do seu trabalho e se sente muita realizada com a profissão em todos os sentidos: “A Psicologia me ajudou como mãe, como mulher, me ajuda hoje com relacionamentos, me ajuda demais. A profissão é hiper gratificante e também aqui na carreta que eu estou podendo fazer muito pelas pessoas que não tem acesso ao psicólogo e que em 15 minutos que eles estão comigo aqui, eu sei que resolvo grande parte do problema dele. Eu me sinto muito realizada e muito agradecida pela oportunidade.” Prova dessa eficiência e um presente no seu dia foi o depoimento de 3 homens que sofriam de ejaculação precoce. Dois deles passaram pela carreta na primeira vez que ela esteve em São Paulo, no Parque da Luz fizeram questão de voltar para agradecer o seu trabalho e garantiram estar curados graças as técnicas aprendidas. O terceiro foi atendido em São Bernardo do Campo e que, mesmo em pouco tempo, já sentiu muita diferença e disse que seu problema estava ocorrendo em menor grau. “Isso é muito gratificante. É o resultado do trabalho na carreta. Eles foram visionários em colocar um psicólogo para atender junto com o médico.” – relata emocionada.

E para os estudantes de Psicologia e até mesmo aos profissionais da área ela deixa um recado de uma profissional apaixonada pelo que faz: “A profissão em si é fascinante, seja em que área for.” Parabéns a todos os psicólogos e psicólogas que trabalham duro para entender a complexidade do comportamento humano!

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Há exatamente 1 ano

27 de agosto de 2010.

No dia 27 de agosto de 2009, há exatamente 1 ano, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Saúde do Homem. Com o objetivo de facilitar e ampliar o acesso da população masculina aos serviços de saúde, a política veio como uma resposta à observação de que os agravos do sexo masculino são um problema de saúde pública. A cada três mortes de pessoas adultas, duas são de homens. Eles vivem, em média, sete anos menos do que as mulheres e têm mais doenças do coração, câncer, diabetes, colesterol e pressão arterial mais elevadas.

“Essa política parte da constatação de que os homens, por uma série de questões culturais e educacionais, só procuram o serviço de saúde quando perderam sua capacidade de trabalho. Com isso, perde-se um tempo precioso de diagnóstico precoce ou de prevenção, já que chegam ao serviço de saúde em situações limite”, disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Com essa nova política, o Brasil foi colocado na vanguarda das ações voltadas para a saúde do homem. O país foi o primeiro da América Latina e o segundo do continente americano a implementar uma política nacional de atenção integral à saúde do Homem. O primeiro foi o Canadá. Por meio dessa iniciativa, o governo federal quer que, pelo menos, 2,5 milhões de homens na faixa etária de 20 a 59 anos procurem o serviço de saúde ao menos uma vez por ano. Além de promover uma mudança cultural.

“Em geral, os homens têm medo de descobrir que estão doentes e acham que nunca vão adoecer, por isso não se cuidam. Não procuram os serviços de saúde e são menos sensíveis às políticas. Isso coloca um desafio ao SUS, já que vai exigir do sistema mudanças estruturais para que o sistema esteja mais sensível, inclusive com o treinamento de profissionais para que olhem de forma mais atenta a essa população”, afirmou o ministro.

E é com esse olhar mais sensível e atento que o Movimento pela Saúde Masculina vem atraindo os homens de todo o Brasil, levando a orientação até eles e mostrando a importância de se cuidar e de se prevenir. Que este seja apenas o primeiro de muitos anos vitoriosos para a Saúde do Homem.

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