22 de agosto de 2010.
Durante o atendimento aos homens na carreta do Movimento pela Saúde Masculina, eles chegaram ao mesmo resultado: a maioria das queixas foi em relação a problemas sexuais, principalmente a ejaculação precoce e com uma faixa etária acima dos 50 anos de idade. Dr. André Mota, Dr. Plínio Marcelo Storti e Dr. Orlando Sanches foram alguns dos médicos que atenderam pelo Movimento em Guarulhos e eles deixaram suas impressões.

Dr. André, Dr. Orlando e Dr. Plínio. (foto: Danny Yin)
Dr. André Mota – “O atendimento foi tranquilo. O pessoal já veio de certo modo entendendo o que era a carreta do Movimento. O que me chamou a atenção foi um paciente que há 9 anos não tem relação, ele não conseguia porque ejaculava rápido. Não teve iniciativa de procurar ajuda, a esposa não o procurava e ele não queria buscar mulher de fora. Foi a coisa mais curiosa que eu atendi hoje. A faixa etária me surpreendeu, a falta de jovens abaixo de 30 anos que não chegou a 2%. A grande maioria acima dos 50 anos, diferente do consultório.” Ele conta que uns 70% dos homens queixaram-se de problema sexual, a maioria por motivos mistos (orgânicos e psicológicos), e a ejaculação precoce dominou. “É o grande fantasma. Isso leva a uma menor frequência sexual, ele tem medo do fracasso e não arrisca.”
Dr. Plínio Marcelo Storti – “A satisfação do paciente é a nossa avaliação. Aqui na carreta nada mais é que uma orientação, é tentar mostrar para o paciente que não existe esse pecado todo de se passar pelo urologista. Mostrar pra ele que é fácil, que é tranqüilo e que não tem nenhum bicho papão aqui dentro.” O Dr. Plínio buscou orientar os pacientes para que eles tenham uma visão melhor do assunto. Como trabalha em posto de saúde do município, ele encaminhou os homens atendidos para o programa da unidade básica de saúde do posto, onde ele dará segmento. “Então não vai ficar aquele negócio: eu viro minhas costas e vou embora, o paciente vira as costas e vai embora e fica por isso mesmo. Esse atendimento teve uma função. O paciente sai daqui com uma orientação e um segmento. Ele não está perdido, deu-se um rumo a ele.” – explica. “A maior reclamação foi a disfunção erétil, a ejaculação rápida e muito pouco sobre próstata. Porém, a minha atitude foi a seguinte: eu orientei sobre próstata, falei quais são as características básicas, sobre a sintomatologia, sobre a parte da sexualidade, de uma parte emocional e psicogênica. Num bate papo, conversando com o paciente, se consegue passar isso. Eles acabaram saindo bem.” A maior parte dos homens por ele atendidos também estavam na faixa etária acima dos 50 anos, mas teve uma boa média de jovens entre os 23 e 27 anos.
Dr. Orlando Sanches – “O maior número de queixas aqui ou de orientação foi quanto a sexualidade, uma minoria sobre a parte prostática. Não veio nenhum jovem extremamente jovem. A faixa etária foi acima dos 50 anos.” O Dr. Orlando levanta um ponto importante no atendimento ao homem que sofre com problemas sexuais, ele relata que “falta escola, falta instrução”. O homem busca o urologista achando que um comprimido vai resolver todos os seus problemas. “Ele quer que faça uma poção mágica e assim ele vai ter ereção por quanto tempo ele quiser e a hora que ele quiser. Mas o paciente é hipertenso, não controla, não faz dieta e não toma remédio ou é diabético, mas não faz controle, não toma medicamento e não faz dieta. O diabético levou a insuficiência renal, ele começou a fazer diálise porque o rim não está funcionando bem e ele não continuou a fazê-la. Não faz tratamento nenhum e ele quer ter relação pelo menos 3 vezes por semana e não liga a doença à ereção. Todas essas doenças são ignoradas. Ele procura a poção, o milagre que faça ele ficar vivo, mas sendo diabético ou hipertenso ou cardiopata ou com insuficiência renal isso não adianta. Ele não quer controlar nada disso e o encaminhamento feito pelo urologista para um nefrologista, um endocrinologista, um cardiologista, com certeza ele não irá procurar nenhum deles. Vai ficar andando a caça de alguém que lhe dê um remedinho e ele possa eventualmente colocar uma prótese peniana gratuita. Cuidar do que está afetando a sua função não é importante. É um exemplo para mostrar a que ponto chega a ignorância e o desconhecimento. Ignorância porque ele está consciente que tem que tratar isso, ele tem a informação.” Ele também fala da importância da mulher ao lado do homem: “Veio uma mulher para o atendimento com o marido. Ele, por uma inibição muito grande, não consegue explicar tudo que ele tem, então foi importante a presença da mulher para explicar toda a parte da sexualidade do casal. Ela foi a porta-voz do casal. Ele não sabia nem que caminho seguir. Ela veio para falar porque ele não fala, ele esconde os fatos, é inibido.” Ele fala do erro no uso da terminologia “prevenção” quando o assunto é o câncer de próstata, de mama, de colo de útero, etc. “Não deveria ser colocado dessa maneira. O paciente acha que o médico vai dar o remedinho, vai fazer o exame e ele nunca vai ter câncer de próstata. Cabe a orientação sobre o diagnóstico precoce, antes de qualquer sintomatologia. Aí sim eu julgo que é por uma falta de informação.” Ele acha que o Movimento pela Saúde Masculina deve ser feito com frequência. “Não adianta fazer isso agora e depois fazer de novo daqui 5 anos. Tem que ter continuidade.” – finaliza.