Entre os profissionais da caravana, o promotor é o que ajuda a organizar o atendimento. Ele é também o responsável por orientar quem passa por perto e quer informações.
Em uma manhã de sábado de sol, no Parque da Cidade, o promotor Maikon Dutra de Oliveira, 18, se arrisca na pista de cooper para tentar convencer quem passeava no local a ir até a caravana para receber orientações sobre a saúde do homem.
João de Castro, 51, é o primeiro a ter a corrida interrompida. “Eu já estou terminando o exercício aqui e já vou lá”.
- Jura?!
- Vou sim.
João não veio.
Na segunda abordagem, Maikon caminha lado a lado com José Humberto, 49, que solta uma piada e aperta o passo.
Em seguida surge o grupo Amigos do Sigma, que faz parte de um projeto social desenvolvido pelo colégio Sigma, de Brasília. O professor Alceu Hayashi, 52, ajuda a turma a ter mais consciência ecológica e a desenvolver trabalhos em creche e em casas de idosos. Mas quando o assunto é saúde masculina…“Sou professor de química, só entendo de moléculas“.
Gabriel Prazeres de Castro, 24, e Saulo Martins, 25, são professores de química e biologia, respectivamente. “Esse assunto para o homem é um playground, para mulher é coisa séria. Deveríamos ter um acompanhamento periódico. Fui ao urologista sozinho, decisão da minha cabeça. Não contei para ninguém”, diz Gabriel.
O professor Saulo Martins vai fundo na sua opinião. “A aparência na saúde é tudo. O órgão feminino é interno, portanto a mulher se preocupa mais. Já o homem, olha e vê que não tem problema… A preocupação com o que você não está vendo é maior”.
Lá na frente, Maikon encontra uma psicóloga, que não quer ver o nome divulgado. Uma pena!
A psicóloga conta que tem um casal de filhos e é separada. Ela garante que nunca fez distinção na criação dos dois.
Quando o menino fez 12 anos, tentou comprar uma revista masculina, mas como era menor de idade não conseguiu. Pediu ajuda a mãe que, prontamente, foi até a banca de jornal, comprou a revista e disse ao menino: “Essa revista é sua, mantenha no seu quarto e não leve para a escola nem para a casa dos outros”.
Ao começar a vida sexual, cada um dos filhos ganhou uma cama de casal. “Eu prefiro saber que eles estão ali juntinhos e seguros a saber que estão “malhando” dentro de um carro. Porque adolescente não tem grana para ir no motel”.
Maikon coça a cabeça e decide voltar para a caravana.