Surpresa na Praça dos Namorados

25 de abril de 2010.

As pessoas que procuraram atendimento médico, nesse domingo, na Praça dos Namorados, tiveram uma surpresa.

De repente, forma-se uma roda em volta de um rapaz que desenha e de outro que faz pose.

O cara que desenha é o caricaturista Adalberto Moura, colombiano, de 54 anos de idade. O outro chama-se Flavio Batista Sanches, tem 49 anos e saiu da fila para pedir uma caricatura de sua pessoa. Diz que não achou caro o valor de vinte reais, pago pela obra, e que gostou do resultado. “A arte tem de ser bem paga”, valoriza.

Acompanhado de sua esposa, a brasileira de Santarém, Edna Farias, o colombiano aproveitou. Conseguiu emplacar meia dúzia de caricatura só com a equipe de trabalho da caravana. Os homens acharam engraçado, as mulheres reclamaram do tamanho do derrière retratado.

Adalberto é convidado a fazer o exame de próstata. Fica surpreso com o convite e diz que sabe que não tem nada. “Não sinto nada, e quando sinto, sou curandeiro, faço meus remédios”, revela.

Pedimos uma receita de remédio para a próstata. A mulher dele toma a frente e fala: “mistura erva de passarinho, que dá no cajueiro, mel de abelha e babosa. É ótimo para a próstata”, diz.

Difícil vai ser encontrar a tal da erva de passarinho de cajueiro.

Malucos beleza
O colombiano Adalberto Moura e a brasileira Edna Farias se conheceram há quase quinze anos. Casaram-se tiveram filhos e netos e hoje moram na selva. Isso mesmo, os dois moram em Novo Aripuanã. De Manaus, até a cidade de 19 mil habitantes, leva-se seis horas, de canoa. Sempre viajam, para conhecer outros lugares, e logo voltam. “Meu neto pergunta porque viajamos tanto“, ri Edna. “Mas lá é o nosso paradeiro”, suspira.

Fotos -  De cima para baixo:
O gerente operacional da caravana, Rubens Failde, aprecia a sua semelhança; Flavio Batista Sanches, orgulhoso do resultado; o criador e a criatura; Adalberto e a Edna são retratados pelo fotógrafo Danny Yin; juntos trabalhando nas praças.

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Consciência diz muito

25 de abril de 2010.

O gari Paulo Cesar dos Reis, de 52 anos, faz o exame retal há quatro anos. Nunca passou por um susto, está tudo em ordem com a saúde. Tanto é, que na última consulta, o clínico geral não viu necessidade em encaminhá-lo ao urologista.

O que pensa Paulo Cesar sobre o homem que não vai ao médico?

“A mesma tecla de sempre: preconceito e vergonha”

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As quatro mulheres

25 de abril de 2010.

Margareth Maria Bada, Maria das Graças Barbosa Silveira, Divanete Torquato Nogueira da Silva e Maria Lucia da Silva Oliveira (em sentido horário). As quatro mulheres vieram determinadas a dar uma força aos respectivos maridos.

Todas chegaram muito cedo: 1h; 1h40; 21h de sábado e 19h30 de sábado, pela ordem dos nomes.

Das quatro, Maria das Graças é a que mais fala.

O marido dela, Jonatas Rodrigues da Silveira, tem oscilação na audição causada pelo nervosismo. Além disso, ele tem trauma de um exame que fez na uretra para saber porque urinava com dificuldade. “Foram muito grosseiros com ele, sabe?”.

Para chegar aqui Maria das Graças nem mentiu nem falou a verdade. Escondeu dele o motivo do passeio. “E mesmo depois que chegamos, ele só ficou sabendo que iria fazer esse tipo de exame depois que começou a conversar com as pessoas da fila. Agora tira sarro de cada um que sai da consulta”, fala.

As quatro mulheres são mãe. Todas concordam que nas questões da intimidades as meninas são levadas ao médico, mas os meninos são jogados no mundo. “É complicado, quando eu tentava falar com o meu filho, ele ficava bravo. Nem quis mais ficar sem camiseta na minha frente. Hoje, a maturidade me ensinou a conversar com os meu três netos. Eu que ensino a eles como higienizar o pênis”, diz.

Pouco a pouco cada uma vai pegando o seu caminho. Mas Divanete ainda passa com o marido na sala do fotógrafo para um foto.

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Madrugada de domingo

25 de abril de 2010.

Os guerreiros da foto se juntaram por acaso e passaram a madrugada de sábado para domingo juntos.

Eles foram os primeiros da fila para o atendimento no Movimento pela Saúde Masculina na Praça dos Namorados, em Vitória.

A foto foi tirada pela produtora local Isabella da Silva Almeida Faria.

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A fila dos insistentes

24 de abril de 2010.

Já explicamos várias vezes aqui no Blog que, apesar de os trabalhos serem realizados das 9h às 17h, o limite de pessoas atendidas é de 120.

Mas sempre existe o renitente, o teimoso, o otimista, o que acredita, o que tem fé em Deus, e por aí vai. Às vezes eles conseguem o querem, às vezes não.

O português (de Portugal, sim) Francisco Carvalho, 67, mora há dois anos na cidade de Serra, no Espírito Santo. Descobriu a cidade por meio de uma agência de viagens. Veio para Vitória nesse sábado para ser o 121o. da fila, ou o 1o da fila dos insistentes.
“Cheguei às 5h aqui. Quero fazer o exame de PSA, nunca calhou de fazer”, conta.

A fila anda! Mais adiante está o de número 126, Antonio de Oliveira Pereira, de 45 anos, com a camiseta do Ipatinga Futebol Clube, time que disputa a final do estadual com o Atlético Mineiro. Para descontrair, ele bate no peito: “meu time tá lá”. Embora não tenha nenhum mal estar, diz que vai insistir na espera: “A saúde aqui da cidade é precária, então quero aproveitar a oportunidade”.

Manoel Souza Dias, de 46 anos, não sabe que número é o seu luagr. A turma ajuda e o informa que ele é o 34o. da fila dos insistentes. Ele chegou às 6h15 e vai esperar. “Não tenho tempo de ir ao médico, trabalho muito“.

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Sábado, dia da criança

24 de abril de 2010.

Heitor Bastos, de 1 ano e 9 meses, aguarda o pai ser atendido

Tatiana Lyra e Ana Clara, esposa e filha do Dr. Vinicius Santos Ferreira

Tatiana Lyra e Ana Clara, esposa e filha do Dr. Vinicius Santos Ferreira

Marina Campos, filha da Fabiana Franco, da Factual Comunicação

Em sentido horário: André e Pedro Prezotti; Gustavo José e João Vitor, filhos de Claudia Rossoni, da Factual Comunicação

Em sentido horário: André e Pedro Prezotti; Gustavo José e João Vitor, filhos de Claudia Rossoni, da Factual Comunicação

Sábado de sol, muito sol em Vitória.

Os trabalhos aqui na caravana do Movimento pela Saúde Masculina não pode parar, e vai até às 17h de domingo (25).

Isso significa que tem gente trabalhando.

E já que os profissionais não puderam curtir o fim de semana com a família como gostariam, alguns decidiram ficar mais próximo dos filhos trazendo-os para o trabalho.

E quem aguarda atendimento, teve a mesma idéia.

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